Transgênero, Transexualismo e Intersexualismo:

Informações Básicas.

 

Por Lynn Conway

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Copyright @ 2000-2005, Lynn Conway.

Todos os direitos reservados.

 

 

Seção I:

Informações Básicas sobre Gênero e Transgênero

 

Traduzido por

Sonia John

 

 

 Uma foto de Lynn e seu namorado (agora seu marido) Charlie, no verão de 2000.

                                                                                                                                    

 

Através da história de Lynn (Pt) soubemos como foi que ela nasceu e foi criada como um menino, e mais tarde foi transformada numa mulher por meio de tratamentos hormonais e cirurgia extensiva. Devido ao passado dela, Lynn às vezes é chamada de uma mulher "transexual". Porque ocorreu isso à Lynn, e, o que é o transexualismo?

 

Para entender o que é o transexualismo, primeiro devemos responder a algumas perguntas básicas sobre o gênero. O que é a Identidade de Gênero? De onde vem? Quais eventos ocorrem na natureza que interferem com a correta designacão de gênero? O propósito destas páginas é responder a estas perguntas. Em adição fornecemos links para mais informações sobre a identidade de gênero, transgênero, transexualismo e intersexualismo, junto com informações sobre métodos e tecnologia para a modificação física de gênero.

 

Os conhecimentos nesta área se desenvolvem rapidamente. É um desafio definir ou "etiquetar" os diferentes fenômenos, e fazer estimativas da freqüência de que ocorrem. Existem também as diferentes interpretações da ciência, e os diferentes pontos de vista dos protocolos sociais e médicos, em constante desenvolvimento, para resolver estas situações.

 

Porém, se sabe muito mais sobre a identidade de gênero do que se sabia só faz uns poucos anos, e vale muito compartilhar este novo conhecimento e utilizá-lo como plataforma de lançamento. O tabu nesta área também foi rompido e agora podemos falar destes importantes assuntos sem medo, vergonha ou embaraço.

 

Como veremos, muitas mais pessoas sofrem de alguma condição de identidade de gênero do que supúnhamos, e as vidas de milhões são afetadas por assuntos relacionados com a identidade de gênero. A chave para aumentar a qualidade de vida dessas pessoas é um melhor conhecimento sobre o tema e sua ampla difusão.


 

 

Seção I: Informações Básicas sobre Gênero e Transgênero

 

Seção Ia: (TG continuação) (em português)

 

Seção II: Transexualismo (HaM) (em português)

 

Seção III: A vida como uma mulher depois da transição transexual (Ainda só em inglès) 

 

 

 

PÁGINAS COM INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

 

 

 Recursos para a Mulher Transexual (em inglés)

 

 Mulheres Transexuais de sucesso (em português)

 

 Cirurgia de Feminilização Facial (em português)

 

 Links informativos TG/TS/IS

 

 Homens Transexuais de sucesso

(em português)

 

 Cirurgia de Redesignação Sexual (SRS) (em português)

 

 

 


 

 

Seção I - Conteúdo:

 

 

 INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE O GÊNERO:

 O que é que nos faz menino ou menina? O que é que determina nossa identidade de gênero?

 Condições Intersexo - Incluindo os bebês cujo gênero é ambíguo ao nascer.

 A prática de "corrigir cirurgicamente" os genitais das crianças intersexo para converti-las em "normais".

 Como estas tentativas de "conserto" revelam que as velhas teorias sobre a formação da identidade de gênero eram erradas.

 Mais lições aportadas pelo intersexualismo sobre a identidade de gênero.

 A teoria de que a identidade de gênero é socialmente construida é finalmente derrubada.

 A teoria de que a auto-percepção inata do gênero está determinada pelo cérebro e pelo Sistema Nervoso Central Pre-natal (SNC).

 

 TRANSGÊNERO:

 Introdução

 

 Acompanhamento e tratamento médico das mulheres transgênero e transexuais.

 Outras condições que em parte coincidem com e são freqüentemente confundidas com transgênero e transexualismo:

 Exemplos: Gays, Drag Queens, transformistas, crossdressers e transvestites, travestis, fetichistas, outros.

 Porque reagem algumas pessoas com tanta hostilidade contra os transgênero?

 Tonalidades cinzentas: Combinações e intergradações de gênero e preferências de parceiro.

 Além das "etiquetas", e em lugar de categorias restritas, propôr modelos de gênero mais inclusivos e flexíveis.

 Seção I continuação - em Seção Ia: (em português)

 O contraste entre a Transição de Gênero (TG) e a Transição de sexo (TS).

 Reconsiderando a discriminação  e os crimes de ódio contra as pessoas transgênero.

 Como a transfóbia, dizemos tristemente, tem sido também freqüentemente projetada por gays, lésbicas e feministas no passado (e como isso está mudando agora).

 Os adolescentes transgênero abandonados por suas famílias.

 Os adolescentes transgênero que recebem o apoio familiar.

 Os riscos que correm os adolescentes transgênero mesmo quando as famílias os apoiam.

 Esforços para fornecer cobertura completa dos direitos humanos às pessoas transgênero.

 Resumo das diferentes situações das pessoas TS e TG em diferentes países.

 O papel poderoso que faz a Internet ajudando as pessoas TS e TG.

 Esperanças para o futuro.

 

 

 

 


 

 

GÊNERO, INFORMAÇÕES BÁSICAS:


 

 

O gênero é uma parte fundamental de nossa identidade como seres humanos. A primeira pergunta que todo o mundo faz sobre nós é “É um menino ou uma menina?"

 

Apesar da importância dele, a maioria das pessoas pensam muito pouco sobre o gênero. Não têm idéia o que é que causa a sensação de ser menino ou menina, homem ou mulher. Sem ter sofrido nunca uma confusão de gênero, eles assumem como um fato o gênero que têm, é tão evidente como o ar que respiram, e não têm motivo para refletir sobre isso. Ter um gênero é um inquestionável privilégio do nascimento.

 

O saber popular considera que do mesmo jeito que os meninos crescem para se converter em homens, as meninas crescem para se converter em mulheres. Só existem duas possibilidades, ou é uma ou outra. Basta com ver o "sexo genital" na hora de nascimento e não tem mais que falar. Porém, como já veremos, as coisas não são tão simples.

 

O que é que nos faz meninos ou meninas? O que é que determina nossa identidade de gênero?

 

Durante a primera fase da gestação, um feto que tem genes masculinos (cromossomos XY) geralmente se desenvolve com genitais masculinos. Desenvolverá-se com genitais femininos se possui genes femininos (XX). Isto ocorre normalmente o 99% das vezes. Os médicos e os pais simplesmente olham os genitais da criatura e a declaram menino ou menina.

 

Aqueles que são identificados como meninos geralmente se desenvolvem como homens com uma identidade de gênero masculina, e aqueles que são identificadas como meninas normalmente crescem como mulheres com uma identidade de gênero feminina. Mais uma vez, tudo parece muito óbvio.

 

No entanto, mais do 5% da totalidade dos homens e mulheres se desenvolverão como homossexuais, e procurarão parceiros de seu mesmo sexo e/ou gênero, mas contudo eles terão uma identidade de gênero normal como homens ou mulheres respectivamente, como a grande maioria dos heterossexuais.

 


 

Estados de Intersexualismo - incluindo bebês que apresentam um sexo ambíguo ao nascer:

 

Apesar de que a maioria das crianças se apresentam como meninos ou meninas normais, várias situações genéticas podem conduzir, em alguns casos, a que apresentem genitais ambíguos, assim que os médicos no estejam seguros de que se tratem de um menino ou de uma menina. Em outros casos os genitais parecem bem definidos de um sexo, mas são incongruentes com os genes da criança. E em mais outros casos os genes da criança são mais complexos do que simplesmente XX ou XY, e o desenvolvimento tanto físico quanto de identidade de gênero da criança será muito difícil de prognosticar. Os meninos que possuem estas variações genitais ou genéticas são chamados de "Intersexuais". Os bebês intersexuais se apresentam aproximadamente em um de cada 1.000 nascimientos.

 

Por exemplo, em aproximadamente um de cada 13.000 nascimientos de uma criança XY (homem genético) o feto não responde aos hormônios fetais masculinos, e desenvolve genitais que parecem às de uma menina, exceto pela ausência de órgãos reprodutivos internos. Estas crianças XY que apresentam o "Síndrome De Completa Insensibilidade Androgênica" (chamado de cAIS ou AIS, pela sigla em inglês: "Complete Androgen Insensitivity Syndrome"), são simplesmente identificadas como meninas e criadas como tais. Embora não pôdem procriar, geralmente se desenvolvem como mulheres esbeltas e atraentes, com uma identidade de gênero feminina. Comenta-se que algumas bonitinhas modelos têm sido meninas AIS.

 

Em outros casos, o "Síndrome De Insensibilidade Androgênica Parcial" (ou, pAIS, pela sigla em inglês: "Partial Androgen Insensitivity Syndrome") tem como resultado que a aparência genital externa pode cair em qualquer lugar do espectro femenino/masculino. (Veja o site web em inglês do Grupo de Apoio ao Síndrome De Insensibilidade Androgênica (AISSG) para mais informação sobre AIS). Incrivelmente, nunca informam a muitas destas meninas de sua verdadeira natureza, já que a família e os médicos sentem pena e embaraço de falar sobre este "terrível segredo"-- que estas meninas têm genes masculinos. Em lugar disso, lhes dizem coisas como "Você nunca desenvolveu órgãos internos, assim que no pode ter filhos", e elas freqüentemente descobrem a verdade sobre si mesmas já na idade adulta e de maneira acidental (como por exemplo a história de Sherri no site de AISSG).

 

Nossa sociedade ignora completamente a existência das meninas cAIS, e isso tem lhes causado muitos problemas. Por exemplo, durante mais de trinta anos o Comitê Olímpico Internacional (IOC) tem efetuado "exames genéticos de gênero" em todas as atletas, para assegurar que fossem "mulheres verdadeiras" (isso foi feito com a intenção de evitar que competissem os chamados casos de "mudança de sexo"). Em um bom número de casos as meninas cAIS foram identificadas por esses exames, e foram etiquetadas como "homens" e desqualificadas da concorrência. Essas foram más interpretações verdadeiramente trágicas, já que a presença do cromossomo "Y" em algumas destas meninas não as convertiu em homens, nem genitalmente nem genericamente, e também não lhes dotou uma força física que possa se considerar uma vantagem. Essas erradas interpretações de gênero muitas vezes foram publicadas, e resultou numa humilhação total para essas mulheres.

Numa significativa retificação dessa política terrível, o IOC abandonou todo tipo de exames de gênero para os jogos olímpicos. Logo, em 17 de maio de 2004 o IOC anunciou que permitirá a participação de mulheres e homens transexuais pós-operados, contanto que cumpram com certas condições, começando com os jogos de 2004. Assim é que finalmente se acabou a discriminação contra a participação de pessoas transexuais e intersexuais nos jogos olímpicos.

Para apreciar um panorama das muitas categorias de condições intersexuais, se pode consultar a página da Associação Norte-americana de Intersexo intitulada "Como Comuns São as Condições Intersexuais?" Para mais informações, veja a página excelente de Wikipedia sobre intersexualismo, onde encontrará links a muitos sites que tratam de distintas condições intersexuais.

  

A existência das crianças intersexo XY (homem genético) que têm genitais femininos e que crescem com uma identidade de gênero feminina (as meninas cAIS), foi um dos muitos fatos que se conheceram cedo e que levaram os científicos a reconhecer que a identidade de gênero NÃO ESTÁ determinada diretamente pela posse de genes XX ou XY. Em lugar disso, propuseram a teoria de que a identidade de gênero era neutra ao nascimiento, e que na infância ceda era determinada pelos genitais e pela criação. O principal defensor dessa teoria era o Dr. John Money da Universidade John Hopkins.

 

De acordo a essa teoria, uma criança que possui uma vagina e criada como uma menina, cresceria com uma identidade de gênero feminina, independente dos genes. De igual maneira, se predizia que uma criança com um pênis e criada como um menino cresceria com uma identidade de gênero masculina normal, também independente dos genes. Se a identidade de gênero do menino(a) não resultasse de acordo a esse esquema, os psicólogos e psiquiatras assumiam que a criação da pessoa resultou "mal" de algum jeito, ou que a criança estava mentalmente perturbado ou delirante (é dizer, “mentalmente doente"). As soluções para qualquer problema de identidade de gênero eram procuradas através da psiquiatria conforme a suposição de que essas "perturbações mentais" podiam se reverter.


 

A prática de "conserto cirúrgico" nos genitais das crianças intersexo para fazer com que fossem "normais":

 

Nos anos sessenta, os avanços da cirurgia plástica combinados com a teoria "Genitais + Criação" da identidade de gênero conduziram aos médicos a recomendar uma cirurgia de "conserto" em muitos tipos de crianças intersexo. A idéia era fazer com que os genitais aparecessem cosmeticamente corretos, sejam de menino ou de menina, e depois educar a criança no gênero “apropriado,” crendo que assim desenvolveria uma identidade de gênero normal e correta.

 

John Money, da universidade Johns Hopkins, quem gradualmente se converteu no porta-voz dominante no relativo a "Estudos de Identidade de Gênero", era o defensor principal destes tratamentos. Sendo um convencido da psicologia condutista, na qual se considera a mente da criança uma lousa branca e sem características inerentes de personalidade, John Money teorizou que a identidade de gênero era exclusivamente o resultado da criação e da socialização.

 

O motivo para efetuar cirurgias de "conserto" nas crianças era resolver a "emergência social" causada pelo nascimiento de bebês intersexuados.  A mera existência na natureza de bebês intersexo quebra nossa rígida dicotomia cultural de gênero: macho/fêmea. Da mesma maneira, a existência destes bebês lança dúvida sobre profundas estruturas religiosas e legais. Tanto os pais quanto os médicos se encontram sujeitos a uma enorme pressão social que lhes exige eliminar estes variantes. John Money trouxe um raciocínio teórico que validava a cirurgia de "conserto", e fez com que "soasse" científico.

 

Devido a que era mais simples "produzir" cirurgicamente uma menina do que um menino, freqüentemente aconteceu que meninos intersexo XY que tinham pênis pequenos ou ausentes, eram convertidos em meninas. O fato de que algum tecido genital sensível se perdesse durante a intervenção não dissaudiu os cirurgiões, já que durante muito tempo nossa sociedade não reconhecia abertamente que as mulheres fossem capazes de ter intensas sensações sexuais nem a capacidade de experimentar orgasmos. Se convertirem um menino em menina, os médicos não se preocupavam de que mais tarde pudesse ter ou não a capacidade de sensações eróticas genitais ou pudesse desfrutar ou não do ato sexual; só se preocupavam de que pudesse funcionar para o prazer do parceiro sexual.

 

As cirurgias nos bebês intersexo se efetuaram desde faz muitos anos até hoje, com uma freqüência no campo de 1 em cada 2.000 nascimentos. Na maioria dos casos essa cirurgia cria meninas. Surpreendentemente, nunca houve um seguimento científico organizado pelos médicos para analizar os resultados dessas cirurgias!

 

Inclusive durante os primeiros anos em que começaram a praticar essas cirurgias, havia pessoas que defendiam cuidado; o mais notável era o jovem pesquisador Milton Diamond, agora um professor da Universidade de Hawaii. Sendo na época um estudante graduado, Diamond fez um audaz desafio às teorias de Money em um artigo em 1959 intitulado "Uma Avaliação Crítica da Ontogenia do Comportamento Sexual Humano". O raciocínio de Diamond estava baseada nas observações dele do comportamento animal. Em adição organizou sob este enfoque "evidências tomadas da biologia, a fisiologia, a psiquiatria, a antropologia e a endocrinologia, para argumentar que a identidade de gênero está profundamente incrustada no cérebro praticamente desde a concepção". (Veja o livro Sexo Trocado, p.44).

 

No entanto, as noções de que "os seres humanos têm avançado mais além das influências da evolução biológica na questão de sexualidade", e que a sexualidade e o gênero eram socialmente construidos, deixaram uma forte impressão na comunidade médica. Sob a influência do "Profeta do Gênero" John Money, essa visão dominou o pensamento psicológico durante as últimas décadas do século XX. As cirurgias de "conserto" foram praticadas em milhares de bebês intersexo durante esse período, e sem nenhum tipo de acompanhamento. Só ao final deste século aconteceu que algumas horríveis perguntas começaram a surgir, já que ocasionalmente alguns seguimentos isolados revelaram que as coisas não tinham resultado tal como John Money tinha predito.


 

Como estes "consertos" revelaram que as velhas teorias de identificação de gênero eram erradas:


Nos anos recentes, muitas pessoas intersexo se encontraram pelo Internet, e começaram a comparar as situações delas. Como resultado, ficou claro para essas pessoas de estado intersexual que na maior parte das vezes as cirurgias de "conserto" no resultaram como prediziam as teorias dos médicos. Em lugar disso, muitos acabaram com uma incapacidade genital causada pelas cirurgias. Muitas também sofreram de transtornos de identidade de gênero, devido à redesignação arbitrária à que foram sujeitadas, porque para os médicos era "mais fácil de fazer cirurgicamente".

 

Devido à pressão dos ativistas intersexuais, especialmente a da recem-formada ISNA, os estudos de seguimento daquelas crianças “cirurgicamente consertadas” finalmente começaram. O primeiro estudo, de 25 crianças geneticamente XY que ao nascer apresentaram ausência de pênis (Síndrome "Extrofia Cloacal") e que foram redesignadas mediante cirurgia e educadas como meninas, revelou que todos os 25 desenvolveram identidades de gênero MASCULINAS.

 

Esses meninos, apesar de ter sido criados como meninas, demonstraram os rudes jogos de meninos pequenos. Na adolescência, cada um deles se rebelou, apesar de toda evidência, contra os genitais femininos e a educação feminina, e todos afirmaram que eram meninos e que queriam ser transformados em tais. Alguns deles desesperadamente procuravam namoradas, mesmo como fariam outros rapazes adolescentes.

 

Em lugar de reverter a identidade de gênero inata e mudar estes meninos em meninas, as cirurgias praticadas durante a infância em realidade os converteram no equivalente de transexuais mulher para homem! Desde então, muitos desses meninos se submeteram a uma redesignação hormonal de gênero mulher para homem. Tragicamente, os efeitos da cirurgia infantil impedem a reconstrução de genitais masculinos e em muitos casos inclusive impedem o prazer de experiências sexuais e o orgasmo.


 

Mais lições do intersexualismo sobre a identidade de gênero:

 

Esses recentes estudos têm lançado dúvidas sobre a maneira total das práticas cirúrgicas nos meninos intersexo.

 

Esses estudos têm revelado uma coisa ainda mais surpreendente: têm virado de avesso a teoria de que a identidade de gênero está determinada pelos genitais e pela educação, causando uma transformação paradigmática no pensamento global da comunidade médica sobre a verdadeira e subjacente natureza da identidade de gênero. A experiência pessoal dos intersexuais que têm vivido diferentes trajetórias de gênero (alguns como meninos "consertados" e outros não) agora está sendo mais amplamente difundida, e está contribuindo a construir um melhor conhecimento das muitas variações da identidade de gênero que são independentes do nosso físico.

 

Por exemplo, em condições intersexuais como o Mosaico-XY de Turner (Mixed Gonadal Dygenesis), uma criança pode apresentar genitais normais ao nascimiento e ser educado como menino, mas ao chegar à puberdade possa não se apresentar uma masculinização e possa persistir uma aparência moderadamente feminina. Esses adolescentes podem enfrentar grandes dificuldades se a condição permanecer sem diagnóstico e/ou não aprenderem das opções apropriadas de tratamento. Se não terem bem-estabelecida uma identidade de gênero masculina, podem enfrentar a decisão difícil de se submeter a um tratamento masculinizante com a testosterona e se converter em homens, ou tomar estrogênios e se submeter à cirurgia genital para se converter em mulheres. Em alguns casos, os adolescentes XY de Turner têm a identidade de gênero feminina, e dado a opção, escolherão se redesignar como mulheres.

 

O artículo "O que é que sabem as crianças?", por Jane Spaulding relata a envolvente história de uma dessas crianças, que foi educada como menino mas que realmente tinha uma identidade de genêro feminina, e de como procurou uma redesignação hormonal e cirúrgica à idade de vinte anos. A existência de casos como esse refuta a teoria proclamada por John Money que os genitais e a criação estabeleçam a identidade de gênero.
 

Jane Spaulding

 

 

Erradamente guiados durante décadas pela teoria de Money, a profissão médica causou a irreversível incapacidade física de milhares e milhares de bebês intersexo. Para conhecer as angustiantes experiências da vida traumática das pessoas intersexuais que foram "consertadas cirurgicamente" na infância, e que cresceram sem que ninguém lhes dissera nunca o que aconteceu, se pode consultar a recente entrevista de Victoria Tilney McDonough a Cheryl Chase em Entre Linhas: Onde se trata o tema das crianças que nasceram intersexuais.


Cheryl foi a Diretora Fundadora da Sociedade Intersexo de Norte-América,
(ISNA, a sigla em inglês), e a primeira líder do movimento para acabar com a vergonha, o sigilo e as indesejadas cirurgias genitais nas pessoas nascidas com anatomia reprodutiva atípica. A ISNA está trabalhando para acabar com a idéia de que o intersexualismo seja uma coisa vergonhosa ou monstruosa. Nos Estados Unidos só, cinco crianças estão submetidas diariamente às perigosas e desnecessárias cirurgias. A sociedade ISNA insta aos médicos a utilizar um modelo de tratamento centrado no paciente, e não no encobrimento. Para um maior aprofundamento nesses temas, veja o documentário do Discovery Channel "É um menino ou uma menina?", produzido com a participação da ISNA.

 

Cheryl Chase, Diretora Fundadora da ISNA

 

"Quando nasce um bebê intersexual, o procedimento de rotina é a prática de cirurgia," afirma Cheryl Chase,

quem foi redesignada cirurgicamente como menina quando tinha 18 meses.

"Os médicos tratam de arrumar o que não seja correto,

logo colocam uma fralda ao bebê, fecham o arquivo, e esquecem dele".


 

A teoria de que a identidade de gênero está determinada socialmente é finalmente deposta:

 

A ruptura com o paradigma de John Money se espalhou rapidamente logo que a comunidade científica se informou de que Money tinha escondido durante muitos anos evidências claras de que as teorias dele estavam erradas. O golpe mortal foi o altamente publicitado caso de "John/Joan" apresentado no livro Sexo Trocado: O menino que foi  educado como menina, por John Colapinto.

 

Décadas atrás, John Money tinha aconselhado aos pais de um menino, que tinha perdido o pênis em um acidente médico, para que o redesignassem cirurgicamente como menina - apoiado pela teoria de que "ela" cresceria de modo de se converter em uma mulher normal em vez de em um "homem anormal". O caso foi muito notável entre os pesquisadores científicos porque o menino tinha nascido com um gêmeo idéntico que servía de comparação no desenvolvimento do gênero. Como primeiro passo o menino foi castrado, lhe retiraram o pouco que ficava do pênis, e depois foi criado como menina. No entanto ainda mostrando a identidade inata de gênero de um menino pequeno, "ela" começou a afirmar que era "na realidade um menino" e se rebelava em contra dos esforços para fazer com que se comportasse como uma menina. Já na puberdade, ainda sem saber da cirurgia infantil, "ela" se resistiu as tentativas dos pais e médicos para feminilizá-la através de estrogênios e cirurgia para lhe construir uma vagina. Eventualmente, se submeteu a uma redesignação, mas para se converter em homem, similarmente ao que faria um transexual mulher para homem. Nesse caso, educar um menino com genitais femininos como uma menina, claramente NÃO modificou o sentimiento inato do menino sobre o verdadeiro gênero dele.

 

Durante muitos anos, John Money continuamente se referiu ao caso de John /Joan como um triunfo, fabricando dados para indicar que o caso tinha sido um "completo sucesso". Money nunca permitiu que ninguém se abordasse Joan para conhecer mais detalhes sobre a vida dela, rogando que todos evitassem contato em nome da "privacidade". Este caso gradualmente se fez tão lendário que se converteu na pedra fundamental da inteira teoria de gênero de Money.


Logo chegaram as daníficas noticias que revelaram que John Money tinha pleno conhecimento de que a redesignação do menino não era nenhúm sucesso. Ainda pior, ele tinha deliberadamente escondido a evidência contrária às teorias durante décadas - décadas quando mais milhares de meninos tinham sido sujeitos a estas cirurgias incapacitantes. Foi o professor Milton Diamond, o cientista que valentemente questionou ao Money décadas antes quando o primeiro era ainda um estudante graduado, quem descobriu o engano.

 

O Professor Diamond sempre tinha suspeitado os resultados obtidos por Money. Durante anos, através de inúmeras pesquisas e artigos, tinha tentado convencer outros a considerar pelo menos a possibilidade de que a identidade de gênero fosse inata. No entanto, os esforços dele não deram certo, devido em grande parte à predominância intelectual de Money no campo.

 

Finalmente, ao início dos 90, Diamond tentou localizar a menina "Joan", quem presumivelmente agora seria uma mulher adulta e cujo caso tinha sido o fundamento da teoria de Money, simplesmente com o desejo de confirmar o que tinha ocorrido. Diamond tropeçou por acaso no incrível fato de que "ela" nunca tinha sentido de nenhum jeito uma mulher e que vivia nessa época como um homem e além disso era casado!*

 

[*Acabou-se a história muito tragicamente.  Embora “John” conseguiu reverter, social e fisicamente, sua redesignação infantil sexual, e se fez um homem, “admitiu ter um núcleo profundíssimo de raiva corrosiva que jamais se extinguiu.  ‘Não se pode escapar nunca do passado’, disse em 2000 ao jornal O Seattle Post-Intelligencer.  ‘Cortaram-me partes do meu corpo e as jogaram à lata de lixo.  Rasgaram-me minha mente’.  “John” se suicidou o 4 de maio de 2004.]


Diamond e um colega, Sigmundson, trabalharam sem descanso para documentar o que tinha ocorrido no caso e publicaram um artigo que descreveu os resultados. A publicação foi tão controversa que muitas revistas científicas simplesmente a rejeitaram, assim tão grande era a influência de Money e do paradigma da identidade de gênero dele. Várias revistas médicas simplesmente não podiam crer a evidência clara colocada frente delas!


O artigo "Redesignação de Sexo ao Nascimiento: Reavaliação das implicações clínicas ao longo prazo" foi finalmente publicado em 1997 pelos Arquivos de Medicina Pediátrica e Adolescente. A reação da mídia e da comunidade médica foi uma verdadeira tormenta diante destas sorpreendentes notícias. John Money foi publicamente exposto por ter falsificado evidências e de ter suprimido evidências contrárias no caso que fundava sua teoria da identidade de gênero. Em 2000 o escritor John Colapinto publicou um relato detalhado da história para difundi-la entre o grande público.

 

 

 

 

A história de John/Joan obteve primeira exposição pública em um artigo publicado por John Colapinto em Rolling Stone (11 Dez 1997) com o título "A verdadeira história de John/Joan". Aqui está um excerto da última página do artigo:


 

" --- Esta história tem abalado até os fundamentos o prédio construido acima das teorias de John Money dos anos 50. E tem exposto uma falha central numa teoria que foi sustentada durante a maior parte do século XX. Foi o Sigmund Freud quem primeiramente afirmou que o sano desenvolvimento psicológico do menino ou da menina se basea em grande medida na presênca ou ausência do pênis--a noção central da teoria do desenvolvimento sexual de Money e a principal razão pelo que John Thiessen foi convertido em menina por defeito. Essa é uma noção que hoje em dia também tem sido lançado em dúvida pela pesquisa neurobiológica que, no ámbito sexual, tem conduzido os cientistas mais destacados à conclusão de que, tal como o Dr. Reiner a declara, "o órgão sexual mais importante não são os genitais, é o cérebro" --- "

 

 

 

John Money, Ph.D.

 

 

"Teórico" do Gênero, afirmava que a identidade era determinada socialmente.

 

Apoiou as teorias por influência pessoal na mídia assim como falsificando e suprimindo dados de pesquisa contrários ao ponto de vista dele.

 

 

Milton Diamond, Ph.D.

 

 

Professor de anatomia e biologia reprodutiva que derrubou a teoria arraigadamente sustentada de Money de que a identidade de gênero é determinada socialmente.

 

O trabalho dele sugere enfáticamente que a identidade de gênero é biologicamente inata.

 

 

 

Desde então, o professor Diamond tem ganhado importantes reconhecimentos pelo seu trabalho. O Diretor do Centro do Pacífico para a Sociedade e o Sexo, na Universidade de Hawaii, tem escrito amplamente sobre temas da identidade de gênero e as intervenções cirúrgicas nas pessoas intersexuais. Recomendo altamente as escritas dele (como por exemplo: Sexo e Gênero são diferentes: Identidade sexual e identidade de gênero sâo diferentes e Um Emergente Dilema Ético e Médico: Devem os Médicos Praticar Redesignación de Sexo aos Infantes com Genitais Ambíguos? ).

 

A refutação das teorias de John Money está finalmente levando a um alteração paradigmática não apenas na comunidade científica mas também na comunidade médica--embora isto ocorre lentamente dado a influência do ponto de vista de Money sobre os médicos "maiores"--e tem conduzido a desafios profissionais e processos contra os cirurgiões tradicionalistas que continuam praticando estas operações genitais nas crianças. Pode-se consultar em especial o artigo recente na Yale Law Review que faz resenha dos nascentes entendimentos dos aspectos médico-legais no campo.

 

 

A teoria de que a auto-percepção inata de gênero está determinada pelo cérebro e pelo sistema nervoso central prenatal:

 

Muito bom, se não são os genes que determinam a identidade de gênero (as meninas cAIS demonstram isto), e se também não são os genitais e a educação que a determinam (os meninos com o síndrome de "Extrofia Cloacal" demonstram isto), então o que é que pode determinar a identidade de gênero de uma pessoa?


Vem crescendo certa evidência de que determinadas
estruturas cerebrais no hipotálamo (na região BSTc) determinam em cada pessoa o núcleo dos sentimentos de gênero e uma identidade de gênero inata. Estas estruturas se "instalam" pre-natalmente nos centros da parte baixa do cérebro e no Sistema Nervoso Central (SNC) durante as etapas cedas da gravidez, e durante um processo de imprimir, no mesmo Sistema Nervoso Central, modulado hormonalmente.

 

Parece que se tais estruturas no cérebro e no SNC do feto são masculinizadas pelos hormônios durante a gravidez ceda, então a criança terá uma auto-percepção e identidade de gênero masculina, independentemente de que os genes ou os genitais sejam masculinos. Se tais estruturas não são masculinizadas nesse período, a criança então terá uma auto-percepção e identidade de gênero femininas, também independentemente dos genes ou genitais. Como acontece no caso das crianças intersexuais, com genitais ambíguos, sem dúvida existem muitos graus de gênero cruzado nas estruturas do cérebro e do SNC, assim que enquanto algumas crianças sofrem uma inversão total de gênero, outras somente sofrem uma inversão parcial.

 

As pesquisas mais recentes revelam que o cérebro começa a se diferenciar nos embriões machos e fêmeas ainda mais cedo, possivelmente antes de que façam efeito os hormônios sexuais embriónicos, e por mecanismos ainda desconhecidos--assim que se pode considerar a identidade de gênero um resultado complexo da interação entre a diferenciação anterior do cérebro e os hormônios embriónicos posteriores.  Para ler mais sobre as últimas pesquisas, veja: "O desenvolvimento do cérebro, o órgão sexual mais importante" na revista Nature, 29 de janeiro de 2004 (Nature 427, p. 390-392).  

 

Assim desse modo, é possível para algumas crianças possuir identidades de gênero inconsistentes com os genes. Nos casos cAIS, por exemplo, as estruturas cerebrais daquelas meninas eram insensíveis aos efeitos masculinizantes da testosterona fetal, da mesma maneira que também foram os genitais. Portanto, desenvolveram estruturas cerebrais e identidades de gênero femininas, apesar de que as crianças foram geneticamente XY.

 

É por isso que também é possível que algumas crianças tenham identidades de gênero inconsistentes com os genitais e a educação. No caso das crianças com síndrome "Extrofia Cloacal" ("micro-pênis"), as estruturas cerebrais e o SNC presumivelemente se masculinizaram sob a influência da testosterona fetal, levando a uma posterior identidade de gênero masculina, apesar de ter sido "transformados cirurgicamente em meninas" e educadas como tais.

 

Os recentes observações sobre esse síndrome estão fazendo um profundo impacto na comunidade de pesquisadores médicos, já que para a ciência de gênero são tão importantes como foi a observaçao das luas de Júpiter pelo Galiléu.

 

Essas são observações dramáticas, sem precedente e irrefutáveis, e causam uma volta no paradigma prévio de pensamento, e ocorre num campo onde havia muita desinformação e tabus. No caso de Galiléu, a volta foi da idéia de um universo terracêntrico a um heliocêntrico. No caso que nos ocupa, foi da teoria da identidade de gênero baseada em "genitais + educação" a uma que baseia a identidade de gênero no "desenvolvimento neurobiológico do sistema nervoso central".

 

As implicações da deslocação desse paradigma são de longo alcance, especialmente para aqueles que sofrem de identidades de gênero "cruzadas". Em lugar de que esses sentimentos de gênero sejam considerados de natureza "psicológica", agora podemos entendê-los como de natureza "neurológica".

 

Deve-se escutar cuidadosamente as conclusões do Dr. William Reiner, M.D., pediatra clínico e pesquisador no hospital John Hopkins, baseadas no trabalho com crianças intersexuais (Reiner ahora é pesquisador de seguimento no síndrome "Extrofia Cloacal"), que agora confirma o seguinte:

 

 

 "No fim das contas, só as crianças mesmas devem identificar quem e o que são. O papel de nós, os pesquisadores, é escutar e aprender. As decisões clínicas não devem estar baseadas em predições anatômicas, nem na "correta" função sexual, também não é uma questão de moral ou de "congruência" social, pelo contrário é questão daquele caminho que seja o mais apropriado para o provável desenvolvimento do padrão psicosexual da criança. Em outras palavras, o órgão que se apresenta como crítico para o desenvolvimento psicosexual e a adaptação, não são os genitais externos, é o cérebro."

 

William Reiner, M.D., Ser Macho ou Fêmea--Essa é a Questão, 151 Arch Pediatr. Adolesc. Med. 225 (1997)].

 
 

É incrível que no passado os psiquiatras tenham ignorado tudo isto, e que durante tanto tempo tenham assumido que a identidade de gênero era neutro ao nascimento e posteriormente estabelecida pelas interações sociais. As pessoas classificadas erradamente de gênero têm relatado durante muito tempo que os problemas delas não surgiam só dos PENSAMENTOS mas também de percepções de gênero "cruzadas" e das SENSAÇÕES CORPORAIS--como as da criança que percebe sensações de gênero que lhe informa como gosta da maneira que o corpo dela se movesse, qual é a resposta ao ser tocada, quão agressiva ou terna se percebe, ou como interage com outras crianças. Então, depois da puberdade, ao começo das sensações sexuais, é  preciso distinguir entre as que sejam masculinas (necessidade de montar e penetrar) ou que sejam femininas (necessidade de ser penetrada e manipulada).

 

A gente não inventa essas sensações sexuais masculinas/ femininas produzidas pelo CNS, simplesmente as experimenta! Os mecanismos básicos de percepção envolvidos estão "integrados" e não podem ser mudados por meios psiquiátricos de maneira permanente mais do que se pode mudar nossa percepção do frio ou do calor.

 

Qualquer seja o processo "em-útero" que as produz, as sensações de gênero e de identidade de gênero da pessoa se encontram no mais fundo do ser. A identidade de gênero é fixa, imutável, e irreversível por qualquer meio médico ou psicológico. Também sabemos que existe um meio só para determinar a identidade de gênero de uma pessoa--perguntar! O gênero é uma percepção--só a pessoa mesma sabe com certeza qual é, e outra pessoa não pode adivinhá-lo. 

 

 

TRANSGÊNERO:


 

Já que conhecemos algumas informações básicas sobre a identidade de gênero, e temos uma idéia das dificuldades que enfrentam as pessoas intersexuais, estamos preparados para aprender e entender sobre o transgênero e o transexualismo.

 

Nesta página nos enfocamos às condições genéricas de homem para mulher (MtF, a sigla em inglês), já que é a experiência direta de Lynn. No entanto, existe o invés, completamente simétrico, de condições genéricas de mulher para homem (FtM) que são igualmente comuns às MtF. Para mais informações sobre o transgenerismo e o transexualismo FtM, recomendo os sites FtM Internacional e American Boyz. "As Meninas serão Meninos" é um artígo de T. Eve Greenaway que descreve o súbito surgimento à luz, práticamente desde as sombras, do transgenerismo FtM nos colégios e nas universidades americanas. Para um estudo profundo dos antecedentes do transgenerismo e transexualismo FtM, recomendo os livros de Jason Cromwell, Transmen & FtMs, e de Jamison Green, Convertendo-se Em Um Homem Visível.  Também recomendo a página que contem links e fotos de Homens Transexuais de sucesso (Pt).

 

 

Introdução:


Muito oculto e raras vezes mencionado, existe o fato de que alguns meninos, aparentemente normais, de nenhum jeito são meninos, e na realidade devem ter sido meninas. Apesar de que possuem os genes XY normais, genitais masculinos normais, e que têm sido educados como meninos, apesar de tudo, possuem os sentimentos genéricos, as sensações corporais e a identidade de gênero de meninas. De maneira similar, algumas meninas na realidade não as são, e deveriam ter sido meninos. Não acontece freqüentemente, mas acontece. E sempre tem sido assim.


Tal vez em um de cada 200 ou 400 nascimentos ocorre algo nas etapas cedas da gestação de tal maneira que os hormônios sexuais não tiveram o efeito usual na integração do cérebro do feto. Nesses casos, as crianças nascem com um sexo neurológico e uma identidade de gênero inata em oposição ao que indicam os genes e os genitais. Sendo que essas crianças se vêem aparentemente normais, serão educadas de acordo a um gênero contrário ao sexo neurológico. Ser educadas dentro do gênero errado vai lhes causar uma profunda Disfória de Gênero e angústia mental a medida que vão crescendo. Estes são os "Transexuais" (TS), os mais intensamente afetados dos transgénero (TG).

 

Em muitos mais casos, tal vez em um de cada 50 crianças, parece que o "efeito transgênero" esteja presente em certo grau mas ou menos pronunciado--e isso ocorre tanto em meninos quanto em meninas (podemos basear uma estimativa dos números na quantidade de indíviduos variantes de gênero que sempre têm estado dentro ou ao redor da comunidade gay. São, no entanto, só uma pequena fração deste grupo, ao redor do 1% o 2% do total da população). Este grupo de crianças apresenta uma ampla variedade de sentimentos de "gênero cruzado" (do mesmo jeito como as crianças intersexuais apresentam uma ampla variedade de configurações genitais).  A maioria destes meninos transgênero terão graves problemas de adaptação se estarem obrigados a seguir um papel de gênero muito estrito.

 

As mulheres percebem este tipo de caso, especialmente de meninos novos sumamente femininos que deveram ser meninas.  Freqüentemente se comenta, "ele deve ser uma menina". Estas sensatas reações a respeito desses casos de meninos femininos rara vez se fala fora do círculo fechado das mulheres. Em especial o pai fará tudo possível para que o menino se "endireite". Se confunde erradamente ao menino feminino com um menino "pré-homossexual". E logo se faz todos os esforços para "salvar o menino desse destino". Por outro lado, a menina que se sente menino pode se expressar de maneira masculina sem ser criticada tanto—e de fato pode ganhar a aprovação social por ser empreendedora e agressiva em nossa sociedade machista. Mesmo assim ela vai experimentar o mesmo grau de angústia sobre a designação errada do papel de gênero como ocorre no caso do menino transgênero MtF.

 

Não existe um papel social em que aquele menino possa expressar "me sinto uma menina," e assim conseguir ajuda com o problema de gênero. Em vez disso, os jovens transgênero freqüentemente adotam a idéia transmitida pelos pais e companheiros escolares de que se converterão em homens gay. Inclusive alguns intentarão "se converter em gay" e de ganhar aceitação na comunidade masculina gay, quando na realidade isso raras vezes dá certo. Os homens gay procuram homens como parceiros, não pessoas cuja identidade de gênero é feminina. A última coisa do mundo em que poderia se converter um jovem MtF é num homem gay, quem é--no relativo à masculinidade e aos genitais masculinos—muitas vezes mais masculino do que o homem médio!

 

Muitos outros jovens transgênero encontrarão maneiras secretas para se travestir com roupa feminina e explorar e desfrutar dos sentimentos de gênero femininos, e freqüentemente o farão desde muito antes da puberdade.  A falta de oportunidades para expressar abertamente os desejos de gênero e a necessidade de manter totalmente secreto o travestismo, são em geral uma fonte de tremenda angústia, ansiedade e depressão para esses meninos.

 

Um número pequeno de adolescentes transgênero MtF tentarão se apresentar abertamente como bonitas garotas e possivelmente atraiam alguns rapazes heterossexuais como namorados (é dizer, rapazes que as amarão como garotas). Outras adolescentes transexuais MtF procurarão a companhia de garotas, que se sentirão atraídos por eles e os amarão como se elas fossem lésbicas. Nesses casos, se os namorados os aceitam, estas podem ser maravilhosas amantes e companheiras. Porém, muitos jovens transgênero ficarão embaraçadas e se sentirão tan humilhadas pelas tendências femininas que vão esconder os "terríveis e secretos desejos" de todo o mundo, e em ocasiões inclusive a eles mesmos, durante um longo, longo tempo.

 

Para aqueles que são altamente transgênero ou transexuais, a vida sem um gênero corretamente designado produz uma pesadelesco isolamento do que é a dança da vida. Já seja sair com alguém, encontrar o amor, o cortejo, o casamento, educar as crianças, e geralmente fazer todas as pequenas coisas cotidianas que continuamente celebram a pertinência ao nosso próprio gênero, são coisas em que a pessoa transgênero tem que ficar ao lado, relegado só a observar. Ou ainda pior, enquanto se sentem feios e ridículos de aparência social como homens, estão obrigadas a "atuar" um papel para o qual se encontram vazios de sentimentos e que é alheio à natureza interior feminina.

 

O nome para a forma intensa destes sentimentos transexuais é Disfória de Gênero.  (Esta condição se chama muitaz vezes Transtorno de Identidade de Gênero ou GID, da sigla em inglês, mas preferimos não usar o termo “transtorno” porque consideramos a condição uma variação natural do gênero humano.  Em sua vez, usamos Disfória de Gênero para enfatizar a ansiedade de ter que viver no gênero errado.)  Para uma descrição mais formal (em inglês) de GID e mais informações sobre pesquisas científicas neste campo veja o site da Sociedade para Pesquisa da Identidade de Gênero, (GIRES) que contem os seguintes links:

 

 

GIRES Página Principal

Disfória de Gênero [2004] (em inglês)

Definição e Sinopse da Etiologia de Transtorno de Identidade de Gênero em Adultos e Transexualismo (em inglês)

 

"Em conclusão, o transexualismo está fortemente associado com o neuro-desenvolvimento do cérebro...não tem sido demonstrado que se pode modificar esta condição por meio de socialização contrária nem por tratamentos psicológicos ou psiquiátricos...as pessoas podem se beneficiar de um enfoque que inclui um régimen de hormônios e cirurgia corretiva para que se enquadrem o fenotipo e a identidade de gênero, junto com intervenções psico-sociais bem-intencionadas para apoiar a pessoa e para ajudar que se adapte ao papel social apropriado...pode que variem os tratamentos aconselháveis e devem ser personalizados às necessidades únicas e circunstâncias de cada um."

--Citado da sinopse de GIRES da pesquisa atual sobre a etiologia de disfória de identidade de gênero; os pesquisadores mais eminentes do mundo deste campo assinaram este documento.
 

 

Orientação e tratamento médico das mulheres transgênero e transexuais:

 

Serviços de orientação e grupos de apoio agora existem em muitas das principais cidades para ajudar a diagnosticar as condições transgênero e informar sobre as opções para a mudança social de gênero e sobre acompanhamento médico. A internet já oferece um grande número de sites de apoio para pessoas transgênero e transexuais; e fornecem uma ampla variedade de informação prática a respeito da orientação e a transição. Muitos desses sites mantêm listas atualizadas de fornecedores de serviços para as pessoas TG/TS (orientadores, eletrólogos, endocrinólogos, cirurgiões). Alguns dos sites (como o TG Forum) também têm listas de clubes, grupos de apoio e importantes eventos nacionais onde a gente TG pode se reuinir para apoio mutuo.

 

Para algumas pessoas que podem se permitir uma expressão de gênero mais livre, por exemplo a flexibilidade em se vestir, nos trejeitos e na aparência, podem facilmente reduzir a incomodidade e aumentar as oportunidades de livre expressão, bem-estar e felicidade. Quando dessa maneira o indivíduo encontrar algúm grau de paz interior e auto-aceitação, pode continuar por esse caminho, e encontrar amor e desfrutar plenamente da vida sem posteriores modificações de gênero.

 

Porém, as pessoas com intensas sensações transgênero podem considerar mudanças físicas pelo uso de hormônios e mundanças sociais, adotando permanentemente o vestuário do gênero que desejam, alcançando dessa maneira uma “transição de gênero”, normalmente sob a orientação de um especialista de gênero. Na atualidade essa transição é efetuada anualmente por muitas pessoas, que depois vivem no gênero em que se sentem mais a vontade, enquanto permaneçam em algum ponto médio do espectro de gênero físico (é dizer, sem se submeter a uma cirurgia de redesignação para modificar os genitais originais).

 

As trajetórias de gênero das mulheres TG variam de maneira considerável de pessoa a pessoa, dependendo de muitos fatores que incluem a intensidade da condição e o ritmo e método iniciais para expressar a condição.

 

Por exemplo, nas décadas passadas foi muito comum que jovens intensamente TG emigrassem ao cenário gay "Drag" (veja abaixo), onde tinham a oportunidade de abertamente se travestir e “atuar” em público, de se sentir atraentes para os homens e ganhar favores deles (inclusive dos homens gay que pensavam deles como rapazes). Não era nenhum segredo que sempre havia uma minoria das "rainhas drag" que de nenhum jeito eram rapazes gay, mas de fato eram garotas TG (e inclusive transexuais).

 

Com a recente proliferação de clubes e grupos para crossdressers heterossexuais (veja abaixo), e as muitas oportunidades para se montar com segurança em tais ambientes, é muito comum hoje em dia que jovens TG inicialmente pensem de si como homens crossdressers e entrem nesse cenário. Só depois de passar algum tempo se dão conta que não estão interessados somente por se montar pela auto-excitação sensual. E sentindo que não são como a maioria dos crossdressers (que têm namoradas e esposas em casa), começam a enfrentar a disfória de gênero subjacente. Uma vez que surge esta consciência de ser diferente, a pessoa TG geralmente abandona o ambiente crossdresser e entra em interação com conselheiros especialistas de gênero e grupos de apoio TG.

 

Os congressos de gênero ao nível nacional (nos Estados Unidos) agora permitem que as pessoas que estão começando a explorar esses assuntos podem assistir de maneira anônima a um grande evento e ter uma introdução à gama completa das opções de transição. Congressos tais como Southern Comfort e Colorado Gold Rush, embora que sejam fundamentalmente grandes concentrações de crossdressers heterossexuais, também incluem excelentes clínicas e seminários para ajudar a começar uma transição de gênero. Qualquer pessoa que questione sua identidade de gênero pode assistir a esses congressos (na modalidade de homem ou mulher), falar e interagir com pessoas em todas etapas de transição, e rapidamente adquirir muitas informações sobre "como se faz" para enfrentar os desafios e possibilidades de uma transição.

 

A Internet fez um profundo efeito no mundo TG ao ter estimulado uma rápida propagação dos conhecimentos sobre a transição, e fez possível compartilhar informações e trabalhar unidos na rede. Com o advento da Internet e a ampla difusão e disponibilidade de informações eletrónicas sobre o transgenerismo e transexualismo, muitas pessoas TG agora omitem os clubes gay "Drag" e os ambientes de crossdressers heterossexuais durante as primeiras explorações de gênero. Em lugar disso, assistem diretamente aos grandes congressos de gênero, aos grupos de apoio TG e consultam orientadores de gênero, e desta maneira exploram tranqüilamente e quase de maneira anônima as opções para modificar o gênero e para uma eventual transição transgênero. Algumas garotas intensamente transexuais (TS) também passam por uma transição TG e vivem como mulheres TG durante longos períodos antes de se submeter à cirurgia de redesignação sexual (veja Seção II: Transexualismo).


A transição transgênero não requer a "permissão" de nenhuma autoridade; pelo contrário geralmente se faz com a assessoria de um orientador de gênero. A pessoa MtF que faz a transição TG trabalha muito duro para feminilizar a aparência e comportamento tanto quanto possível, usando hormônios femininos, eliminando a barba por meio de electrólise, e fazendo regulagens da voz e de muitas outras condutas. Algumas também se submeterão a cirurgias cosméticas para melhorar a aparência do rosto e do busto. Uma vez que estas mudanças têm avançado suficientemente, a pessoa faz uma transição social, e se veste permanentemente a roupa correspondente ao novo gênero, mudando legalmente o nome, e fazendo com que toda a documentação legal seja retificada com os novos dados (o que é relativamente fácil em muitos estados dos EUA). Ainda existem muitas dificuldades neste caminho, já que a sociedade ainda não se acomoda rapidamente a alguém que se encontra fisicamente "no meio" dos dois gêneros tradicionais. Com tudo, em alguns casos as mulheres transgênero têm conseguido transições com muito sucesso na vida, têm feito boas carreiras e aliás têm encontrado maravilhosos parceiros.

 

Pode-se encontrar alguns exemplos de mulheres TG e as histórias delas nas seguintes fotos e os links correspondentes. Essas fotos demonstram as possibilidades de uma transição transgênero sem a SRS (embora algumas destas mulheres têm completado transições transexuais, ou vão fazê-lo, por meio da SRS):

 

 

Calpernia Addams em 2000:

Uma bonita mulher transgênero

feminilizada  pelo estrogênio

 

 

Para saber mais sobre a Calpernia, vê a Seção Ia.

Poco depois que foi tirada esta foto, Calpernia fez a SRS, completando a transição TS.

 Para saber mais sobre Calpernia vê este novo site, e o novo livro dela, Mark 947.

O filme Soldier's Girl também conta a história dela.

 

 

 

 

Chrysis, uma gostosa mulher TG que foi atriz

de cabaret em New York City nos anos 70 e 80.

 

 

Aqui podemos ver a Chrysis com o Nick Nolte, durante a filmagem de Q&A (no que atuou)

 

 

 

 

Carla Antonelli, uma bonita atriz trans espanhola.

Carla mantem um dos mais importantes sites de apoio TG/TS em espanhol.

 

 

 

Miriam, uma mulher TG do Reino Unido que é de arrasar,

fica feliz com o corpo que já tem, e assim não pensa se submeter à SRS.
 

Miriam se viu envolvida numa controvérsia recentemente

devido a sua participaçáo em um "programa de TV realidade" no Reino Unido.

 

 

 

Nos casos mais intensos de transexualismo, a trajetória inicial das garotas TS pode ser similar à das pessoas TG. No entanto, a resolução final da condição requer mais do que uma redesignação social e hormonal. A única maneira conhecida de resolver a condição transexual é mudar completamente o sexo físico para igualá-lo à identidade de gênero inata da pessoa. Isto quer dizer se submeter a uma "transição transexual", que no caso das pessoas transexuais MtF implica transformar totalmente o corpo de um homem ao de uma mulher. Isto se consegue por usar hormônios femininos e se submeter a uma cirurgia de redesignação (SRS) (Pt) para reconstruir os genitais masculinos aos femininos. A transição transexual nos Estados Unidos se conduz sob um protocolo formal que requer orientação, terapia hormonal, e uma "experiência de vida real" de pelo menos um ano vivendo e trabalhando no novo gênero antes de que o paciente seja recomendado para a SRS (veja a Seção II, Transexualismo).

 

 

 

Harisu, uma bonita garota transexual de Corea que fez a transição na adolescência com a ajuda da mãe dela, e que fez a cirugia de redesignação sexual aos 19 anos. Desta maneira Harisu fez uma "transição transexual" e agora é uma mulher TS pós-operada.

 

 

 

 

Dana International, uma linda garota israelense que fez a transição durante a adolescência e a SRS aos 22 anos. Dana era uma "Rainha Drag" nos cabarets como adolescente, e mais tarde, já como mulher TS pós-operada, se converteu numa renomada cantora.

 

 

 

 

 

 

 

Nos Estados Unidos existem pelo menos umas 32.000 a 40.000 mulheres transexuais pós-operadas (veja a Informação Prevalência na Seção II). Cada ano, ao redor de 1.500 a 2.000 americanos se submetem à cirurgia de redesignação, assim que o número total está aumentando rapidamente. Como veremos, muitas destas mulheres têm experimentado uma vida sucedida depois da transição TS.

 

O número de mulheres transgênero, e o número de transições transgênero, são muitas vezes maior do que o das mulheres transexuais. Assim é muito provável que existam muitos milhares, tal vez vários milhões, de pessoas transgênero nos Estados Unidos.

 

 

Outras condições que coincidem com e que freqüentemente são confundidas com transgênero e transexualismo:

(i) Ser Gay (ii) Rainhas Drag, (iii) Transformistas, (iv) Crossdressers e Transvestites, (v) Travestis, (vi) Fetichistas e (vii) Outros


Transgênero e transexualismo se encontram freqüentemente misturados com outras condições mais comuns que implicam condutas e aparências do tipo travesti. Podemos aprender mais sobre transgênero e transexualismo por contrastá-los com estas outras condições e visualizando as fronteiras--às vezes difusas--entre elas.

 

Enquanto falamos sobre essas questões, devemos lembrar que "etiquetá-las" é muito impreciso neste campo. Diferentes pessoas classificam as coisas de maneiras diferentes. Algumas pessoas consideram que TODAS as situações que implicam travestismo se incluem sob a "guarda-chuva transgênero". Porém, existem diferências fundamentais entre aquelas pessoas que têm uma identidade de gênero "cruzada" suficiente para conduzi-las a fazer uma transição (pessoas TS e TG), em comparação com aqueles travestis ou homens homossexuais Rainhas Drag, que geralmente possuem um gênero masculino completo. A menos que estas diferêncas sejam perfeitamente compreendidas, amontoar todas estas situações sob uma etiqueta só pode causar uma grande confusão.

 

Estas confusões também podem afetar os jovens TG/TS quando numa etapa ceda da vida lidam com assuntos de gênero. Como veremos, muitos jovens TG/TS acham inicialmente que sejam gay ou que sejam Rainhas Drag ou travestis, enquanto tentam se enquadrar no que lhes pareça representar o que sentem. O resultado é que muitos jovens TG/TS emigram para o ambiente dos clubes gay ou travesti, no caminho para resolver as angústias de gênero.

 

Leve em conta também que se expressam as emoções e sentimentos de gênero cruzado de maneiras diferentes em culturas distintas, dependendo dos papéis sociais disponíveis às pessoas transgênero em cada sociedade.  Pode-se utilizar palavras diferentes em várias culturas para se referir às pessoas variantes de gênero.  Essas “etiquetas” variam muito de cultura em cultura, e além disso mudam no decorrer do tempo.  Veja a página de Lynn sobre “as situações das pessoas TG/TS em vários países” e também o site TransgenderAsia, que descrevem como outras culturas classificam as pessoas transgênero.

 

Veja também a